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domingo, 6 de julho de 2008

Meu toca-discos se matou

Fui acometido recentemente e irreverentemente por um vírus sem cura, doença de estágio terminal e hipotético. Mamãe aflita palpita ilusões e anseios. Médicos, médiuns e profetas de última hora cogitam e por fim optam não optar.
A situação se complica quando a cidade aborrecida prevendo um improvável contágio se retira em orações e canções do Belchior. O governo decreta isolamento até as próximas eleições. Salmos e Salmões em mesas fartas de alegria e medo, o desespero sôfrego de delírio e cólera.
Cidadãos cansados do ébrio brio da cidade parca se camuflam em passos falsos e automóveis bêbados ao passo que nada é constatado senão um espelho quebrado e um anúncio de “concerta-se toca-discos” em contraste com minha solidão.
Uma anarquia de fatos e fados se contempla em fotografias coloridas desbotadas de atenção e envelopes alheios, aleatoriamente deixados em minha porta. Os velhos ensaiam sorrisos falsos em salões vazios e velhas lembranças se debruçam nas janelas e se destroçam em outdoors. Nenhuma célula entrega mais do que uma resposta vazia quando me pergunto ao fim de cada dia se realmente haverá vida antes da morte?

2 Comentários:

Snuck Binks disse...

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Rogério Altamir disse...

Feito