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domingo, 15 de março de 2009

A Longa Marcha


Stephen King é, até onde sei, um dos escritores mais conhecidos e reconhecidos do mundo pop. Talvez por possuir uma prosa fácil e acessível, comumente mal interpretada como literatura vulgar. Mas mais provavelmente pela variedade e criatividade de suas histórias. Também, tantas já foram as adaptações para o cinema de suas obras que o escritor dificilmente passaria alheio ao grande publico e cativa uma infinidade de fãs.
Mas digo isso porquê, eu mesmo, somente agora vim a ler um livro do cara. Inadimplência minha. A verdade é que, embora todo o favoritismo que torneia o escritor, eu nunca tive uma vontade real de lê-lo. E é engraçado que eu tenha escolhido como primeira leitura do mestre do horror justamente um livro não horror. Aliás, um livro que não é nem sequer assinado por King e sim por seu pseudônimo Richard Bachman. E que bela escolha, diga-se de passagem.
O livro A Longa Marcha deu-me uma perspectiva completamente nova sobre Stephen King. A história não é de terror, muito pelo contrário, poderia até classificá-la como uma verossímil distopia. Não é uma história futurista, a trama se desenrola em uma realidade paralela semelhante à época de lançamento do livro (1979). E como em toda distopia, vive-se em regime totalitário e militarista.
A arte de entreter multidões é, a meu ver, o maior truque já criado pelo homem. Desde dos tempos mais remotos somos infinitamente ludibriados. Passivamente manipulados e desviados. Quanto mais negro for o capitulo histórico vigente, maior será a artimanha empregada por nossos podres poderes na manutenção do controle sobre o rebanho. Tudo se resume a jogos políticos, absolutamente tudo. Você também é um número.
Por outro lado, como é fácil se enganar. Somos todos predadores famintos e é bom ver o sangue fluir. Há uma música da Legião Urbana que fala exatamente disso, essa indiferença maléfica. Renato Russo é perspicaz em sua Metrópole.
Mas, voltando ao livro.
Vive-se mais um período de instabilidade na América fictícia e qualquer cidadão que não estiver devidamente satisfeito com o Estado estará sujeito a responder com a vida. Mas também não é assim de todo mal, por exemplo: Ao menos uma vez por ano as pessoas podem se esbaldar em euforia enquanto acompanham a Longa Marcha. Um evento grandioso que arrecada bilhões de dólares. Ninguém fica indiferente a longa marcha, ela é o espetáculo numero 1 do planeta. Todos os olhos vêem. É uma maratona de resistência onde cem garotos partem da fronteira do Maine com o Canadá em direção ao sul. Não há linha de chegada, os competidores precisam apenas continuar andando, mantendo a velocidade sempre acima de quatro milhas por hora sobre a pena de ser eliminado (ou melhor: assassinado), até que os cem garotos se reduzam a um único sobrevivente, o vencedor.
King desenvolveu personagens memoráveis, personagens que cruzam a fronteira da ficção e nos atingem em cheio com todo drama e tensão da jornada. É como se você também fosse um caminhante, andando, temendo o bilhete azul, o tiro fatal. No principio eu temi que o escritor houvesse dado um tiro no pé ao eleger um protagonista entre os caminhantes, pois isso obrigatoriamente tornava este ao menos um dos finalistas da competição e anulava em boa parte a surpresa final. Mas o cara não é chamado de mestre por acaso, ele simplesmente destrói todos os clichês imagináveis e a única conclusão possível antes do final é que tudo pode acontecer.

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1 Comentários:

Rodrigo disse...

Acabei de ler, o livro é angustiante e emocionante, escrito magnificamente por S.K., esse é o segundo o livro dele que leio e estou fascinado pela maneira que escreve, não que seja a melhor, ás vezes me parece uma maneira mecânica de escrever, mas ele sempre deixa no ar aquele suspense capaz de atrair qualquer um que goste de uma boa história.






"A gente afunda cada vez mais, pensou. Nunca se toma pé, afunda-se
sempre mais, até que o cara está fora da baía e nadando no oceano."

Trecho do Livro,falando sobre A Longa Marcha.