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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Eterno retorno

falo que é como é
e se der
dá no pé
se não der
quando vê
dá no mesmo
falo a esmo
mas falo mesmo
o mesmo termo
mas falo sério
levo sempre o mesmo terno
do mesmo enterro
pro cemitério

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Lição

Melhor é arquitetar
É estimular a imaginação
Pegar um papel e deixar falar
A voz que vem do coração
Não se queria fazer, mas fiz
A rima de improvisação
Canta lá me deixa feliz e quis
Fazer da palavra a canção
Pra que você sempre lembre de mim
E esqueça ... que a vida não tem refrão

sábado, 27 de abril de 2013

Humano, demasiado humano

Eu quero paz
O tempo traz
É preciso crer
É preciso ser humano demais
Eu quero mais
Mais que viver demais
Mais que olhar e ver
Pra sempre ter
A cara do meu pai
E não perder jamais
Meu cais
Vida que vens e vais
Não me deixe pra trás
Que te esperar sem paz
É humano demais

sexta-feira, 22 de março de 2013

A verdade e um copo d’água



como é difícil ater-se a razão
se a própria forma deforma a forma do pão
então, sei não...
pra que formar-se de informação?
bem mais me serve essa inspiração
ao menos serve pra uma canção
quando reflete tamanha emoção
e que não passa de outra ilusão
pois sim, pois não

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A calmaria que precede...

Parecia estrambótica
Parecia alegórica
Parecia alergia e
Saía por aí
Parecia saber onde ir
Parecia assistir tempo passar
Parecia não se assustar
Parecia respirar
E expirar
Parecia lar
Parecia amar
Parecia um bom lugar

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Rima solta, língua presa





Que mera quimera que era
Quem dera a merda que é
Que bela a fera sem ela
Quem dera ela sem fé

Mas o que resta da fera se ferra
E o que resta da bela é o pé

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Final

Às vezes o mar é difícil, artifício de água e sal
Às vezes amar é o inicio de um sentimento desigual
Às vezes a dor é um vicio, como é o ofício de todo casal
Às vezes o amor é um mito de um armistício mundial
Às vezes amar é difícil,  como é o inicio de todo casal
Às vezes o amor é o vicio de um sentimento artificial

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Sestia

A louça é posta e exposta
flores de decoração
dona do sol e da lua
e dessa canção

Fui chutando tantas pedras
que até quebrei o dedão
mas te encontrei na gambeta
do meu coração

Rainha das frases soltas
e dos gestos de amém
faço te este poema
igual outro não tem

Quero ficar a teu lado
pra te pedir opinião
e me deitar em teu colo
e buscar redenção

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Transmutação



A vida é demais pra quem quer mais do mesmo
O tempo passou e nos lançou a esmo
Eu sou o que sou e sempre sou eu mesmo
Às vezes demais, às vezes de menos

Queria ser paz, queria ser paisagem
Queria ser cais, queria ser miragem

Quem quer sempre mais acaba sendo menos
Eu sou o que sou e nunca sou o mesmo

sábado, 14 de julho de 2012

Soneto dualista

Quero o carinho de quem pede bis
ou de quem torce por final feliz.
Bem diferente daquele que diz
que só se importa com o seu nariz.

Quero a alegria de quem acha graça
e que pra rir não precisa de nada.
Bem diferente daquele que acha
que um sorriso é coisa sagrada.

Quero a coragem de quem se envolve
nas causas nobres que ninguém promove.
Bem diferente daquele que finge
que se preocupa com o nariz da esfinge.

Quero a animosidade de quem ama e desconhece o mundo.
Bem diferente daquele que grita que conhece e odeia tudo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Elegia - 1938

Carlos Drummond de Andrade

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Poema do passo em falso


 
O paralelepípedo parado
Não se esquiva a multidão.
Nem se esquiva a paralela
Que lhe prende ao chão.

Quero ser como tu, que ao pisar percebo,
Sem pesar a dor e a suportar o peso.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Canção em Mi my lóve


Abobadado de estrelas
ao vê-la, quero te-la
espere acabar a feira
de segunda a sexta
o tempo passa de pressa
sem reza, sem essa
pra quem te ama à beça
e preza e prensa
teu corpo contra a fogueira
ascenda vermelha
e brilha como uma estrela
no céu... pro seu... amor.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Falso Fractal

Se é cena, é de cinema.
Se é sena, jogo da sorte.
Se é sina, pra quem tem cisma.
É sul, pra quem tem sorte.

Se é corte, é de costura.
Se é curta ou longa metragem.
Se é margem, porque oscila?
Se é milha, mira a paisagem.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Ateu

Comparados aos teus,
meus valores são nulos,
minhas vazões sem razão.
Melhor os teus
que não são tudo,
melhor as tuas que terão.
Falas muito de piedade,
mas desconhece o perdão.

Convêm lembrar que a verdade,
quando convier esquecer,
assume formas de verdades
que só vendo pra crer.
E eu compro,
pra provar que são mentiras,
Comprovo,
que não existem mais verdades.

De modo que não me agrada
essa tua moral,
cínica e inflexiva,
além do bem e do mal.
Queria eu ser igual
e não pensar diferente
de modo a te agradar
com modos de crente.

Mas creia-me que eu sou ateu.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Anestesia

Foi um feixe de luz
mas de força mecânica
que atingiu a cabana
do velho pagé
que num ato de fé
defecava na moita
e com a voz meio rouca
reclamava da vida
que vivia sozinho
com um litro de vinho
e não tinha vizinho
que corresse em socorro
ou quisesse o transtorno
de ligar pros bombeiros
e se via o vermelho
lá no meio do mato
contrastando com o asfalto
dos assaltos humanos
mas o velho tem planos
de anos novos pro velho
e caso o cemitério
só lhe cause temor
em filmes de terror
ou livros de suspense
tem também essa gente
que a gente não sabe
mas enfrenta a idade
a maldade do tempo
e a fumaça com o vento
sobrevoa a cidade
com senso de oportunidade
cota de cidadania
preço de mercadoria
indígena, indigente.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Desbravando o pampa

Pampa
de bota e espora
da cor da aurora
dos marechais
dos festivais
dos castelhanos
dos verdes campos
do minuano
dos sete povos
3° infanto
dos guaranis
e italianos
dos desencantos
dos monumentos
dos sotaventos
e voçorocas
do pinho
do gado
e da soja
das rotas
da reforma agrária
do latifúndio
e da mini área
das alpargatas
encruzilhadas
e das bravatas
dos coronéis
dos bordéis
de amor gaúcho
faca no bucho
e das centelhas
da feovelha
velha moral
bombacha larga
tradicional
da relva
da ceva
e do mate
de são gabriel
do fim de tarde
do rafael
e da universidade.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Poemeus

Alivio cômico
atômico
das festas do playground
Amor platônico
anônimo


O espaço é milimétrico
Calor térmico
Troquei o meu ferro elétrico
por um ventilador


Um céu de gelo lá fora
Sonhos caindo no chão
Vento bate dentro
fora do meu coração


Não sei que horas são
Já nem enxergo tão bem
Venha comigo e despenque
das nuvens também


A rima é fácil, flutua
Como Jesus sobre as águas
A rima fácil naufraga
Como o eco de minhas palavras

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

to be

Sendo como sendo
Como será
Como será
Sendo que não sendo

Sendo mais ou menos
Quanto será
Quanto será
Sendo mais do mesmo

Sendo como sendo
É que será
É que será
Sendo
É que será
Não sendo

Sendo seno o cosseno
Como será
Como será
Seno ser cosseno

Sendo um meio termo
Quanto será
Quanto será
Sendo termo inteiro

Sendo como sendo
É que será
É que será
Sendo
É que será
Não sendo

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Poema em linha reta

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)
Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.