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segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Que país é esse?

Vamos ver quem é que entende:
Existir outro Brasil, parecido com esse aqui.
Onde a história é diferente.
Narrada por outra gente, paralela a essa daqui.
Eu que vim só pra assistir, acabei incomodado.
Como pode existir duas histórias pra um estado.
Fui na escola pra aprender a lição e o ditado.
Sai de lá sem saber, fui muito mal informado.
Ou o cidadão tem que ter o faro bem apurado,
Ou a pátria sempre foi um sentimento abstrato.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A calmaria que precede...

Parecia estrambótica
Parecia alegórica
Parecia alergia e
Saía por aí
Parecia saber onde ir
Parecia assistir tempo passar
Parecia não se assustar
Parecia respirar
E expirar
Parecia lar
Parecia amar
Parecia um bom lugar

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Diário de uma aventura mística


Texto escrito pelo caro amigo Lucas Loch, vulgo Bob.
É uma honra poder ler e contar com sua colaboração.


Então tá, vou contar pela última vez essa hi/estória para os vivos: Fomos, Arlindo, Rogério, Sivuca, um lagarto que encontramos no caminho e eu, com o objetivo de realizar experiências místicas na Índia. Saímos do Paquistão porque lá tava chato pra caralho, e a ideia era atravessar o norte da Índia, porque o Arlindo queria comprar umas coisinhas na China primeiro, antes de aventurar-se afú pelo sul da Índia e encontrar não-sei-o-quê-lá. Mas morríamos de sede e era impossível caminhar por mais uma noite com todas aquelas pesadas bugigangas nas costas, que o Arlindo fez questão se trazer, enfim. Quando o sol já rachava o meu corpo como um estilete enferrujado, ouvia-se, bem baixinho, uma voz dizendo:

- “Oh, let the sun beat down upon my face. Stars to fill my dream. I am a traveler of both time and space. To be where I have been...”

- CARAMBOLAS-ASSASSINAS-VOADORAS!!! O lagarto sabe cantar - Exclamei suavemente, já envolvido pela leveza da música que parecia nuvens a nos carregar gentilmente.

- "To sit with elders of the gentle race. This world has seldom seen. They talk of days for which they sit and wait.When all will be revealed."

Era difícil acreditar no que víamos, um lagarto aparentemente inútil que decidiu nos seguir, precipitávamos por um possível jantar. No entanto agora ele apronta essa.

- Ah, que delícia, ha-ha-ua-ha-u-ia, eu to flutuando, dizia Rogério, rindo entusiasticamente. Pudera, aquilo era tão suave que fazia cócegas, e apesar de eu não entender bulhufas de inglês, tudo fazia sentido. Talvez porque flutávamos, sei lá.

- "Talk and song from tongues of lilting grace. Whose sounds caress my ear. But not a word I heard could I relate. The story was quite clear Oh, oh, oh, oh" PLUF-CRACK-SPLUFT! Uma bota tamanho 46 estribucha o bichinho. Arlindo era o único de nós que não se deixou levar pela anti-gravitação-cósmica-espiritual-lagartiana, com fones de ouvido potentes entalados na cabeça estava, infelizmente, imune àquele delírio paradisíaco. Sivuca quase teve um orgasmo, pobrezinho.

De repente o lagarto reage, balbuciando suas últimas palavras, mas ainda tentando cantarolar: - “All I see turns to brown as the sun burns the ground. And my eyes fill with sand. As I scan this wasted land trying to find. Trying to find where I've been." E Morreu.

O efeito anti-gravitacional-cósmico-espiritual-lagartiano falhou abruptamente. Caímos de bunda no chão, menos o Sivuca, que não sei porque foi caindo de vagarinho, nem se machucou.

- Porra - gritamos em coro, Rogério e eu, Sivuca ainda estava suspirando.

- Quê foi? - perguntou Arlindo enquanto tirava os fones de ouvido.

- Você pisou na lagarta cara, que merda! - esbravejou Rogério indignado com tudo aquilo.

- Mas a gente não ia matar esse bicho de qualquer jeito?

Decidimos então nem contar a ele o que acontecera naquela cena lancinante para não piorar ainda mais as coisas, o Sivuca não concordou nem discordou, não falou nada. Então seguimos. A jornada era duríssima, a coisa ia de mal a pior, porque além do cheiro que o cadáver do lagarto produzia ser horrível, vinha com isto uma saudade daquela canção que nos alegrou naquele momento.

Caía a noite e já ouvíamos alguns tambores ao longe. Eram nativos e não era conveniente encontrá-los a noite, nem ser encontrados por eles. Fincamos estacas e acampamos ali mesmo, para na manhã seguinte estudar a possibilidade de fazer contato ou não. Feito a fogueira e comidos todos os biscoitos que o Arlindo nos fizera carregar, decidimos dar cabo no bichinho. Espetamos o lagarto e colocamos na fogueira, Rogério ainda não sabia se ia comer a carne do bicho cantor. Eu preparava a carne com todo o pesar do universo e Sivuca engolia um ranho de choro contido, mas preferia nem falar nada.

Eis que, sem mais nem menos, as chamas da fogueira ardiam como se estivessem vivas e lambiam o cadáver ferozmente. Como não havia água, sugeri que mijássemos no fogo para não tostar toda a carne. Rogério foi radicalmente contra aquela falta de respeito com o lagarto. Arlindo foi o primeiro a botar o pau pra fora, já o Sivuca não falou nada.

Mas quanto mais mijávamos, mais fortes as labaredas ficavam. A fumaça colorida que saia da carne incendiada dançava "espiralmente", envolvendo-se em si mesma, até tomar uma forma semi-humana.

- Blasfemos, urinando em minhas vestes carnais, mas que porcos desprezíveis, imundos e ridículos que vós sois. Eu definitivamente não acredito que são estes os escolhidos de minha mãe para as vocações tão gloriosas que irão desempenhar - disse aquele vulto que, pouco a pouco, ia tornando-se claro como a sua voz.

- Mas afinal quem é esse? perguntávamos uns aos outros, com exceção do Sivuca, que não falava nada.

- Eu sou o início - esbravejou a entidade fumaçante.

- Mas como assim velho? - indaguei pexplexo.

- Eu sou o fim! - respondeu prontamente.

- Ele tá de sacanagem, essa bichona estranha ai - desdenhou Arlindo acendendo um cigarro soberbamente.

- Eu sou o indivisível, o real e o irreal, sou o "indenominável", o oni.

- Oni?

- É, oni-tudo.

- Hum, não entendi nada mas por mim - disse o Arlindo.

- Ele é Deus, não ta vendo anta? - tasquei.

- É, sou mesmo e daí? Ninguém é perfeito.

- É que eu pensei que fosse bem diferente - disse Arlindo em ar de deboche.

- Todo mundo pensa, barba, manto e blá-blá-blá, mas não é para isso que vim aqui para este deserto, o que eu vim fazer aqui na verdade foi...

- Peraí, a sua voz...

- O que tem a minha voz?

- Desculpe interromper, mas eu conheço a sua voz, você não é o...o...

- Sim, é a voz do Jim Morrison.

- Uau, então você foi ele? - ingenuamente indaguei.

- Não, não, eu só peguei a voz dele pra mim depois que eu lev, quer dizer, depois que ele se partiu, foi bom para pegar as garotas por um certo tempo sabe, mas isso não vem ao caso, o que importa é que ...

- Tá mas só mais uma coisinha, essa roupa, esse cabelo e esse “zig-zag” vermelho não é do???

- É, é Stardust sim, mas também não tenho nenhuma relação com ele, não me venha com teorias conspiratórias, eu me visto assim pra me sentir melhor ok!? Mas o que me interessa é que, háááá! Ah, até que enfim não interromperam minha preciosa fala. E o velhinho ali, o ancião, não quer perguntar nada também? Afinal, i am god, fuck!

Mas Sivuca não disse nada.

- Tudo bem, enfim posso pelo menos ter agora a tão aguardada oportunidade para poder conjugar os esforços necessários para inteiramente informá-los de que... bom, ã que... Puts eu esqueci.

- Como assim você esqueceu, tá doido?

- Ah esqueci caralho, vocês não paravam de indagar coisas idiotas e eu esqueci o que tinha pra dizer. Poxa vocês já são 7 bilhões, eu sou só um...

- Se não me engano tinha algo a ver com a sua mãe, lembra... Sua mãe?! Como assim?? - pirei.

- Pra mim já era, fodam-se vocês, são muito manés mesmo, eu vou me embora, perderam plays. Fui.

E se foi embora, Deus, caminhando apressadamente, irado. Ele só conseguia pensar em uma coisa enquanto tirava o tapa-olho:

- Ufa, quase me entreguei.

Já a facção mundana parecia ter superado a questão, incrédulos ou não, pareciam não ter entendido que aquela era a experiência tal, para aos quais foram devidamente arrastados ao deserto pelos seus destinos. E rindo fomos, boçais, cantando hinos de virtude a procura da graça em áridas terras. O Arlindo continuou sendo o autor de diversas cagadas, já o Sivuca, bom, o Sivuca não disse nada.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Não




 Não
Eu acho que não
Cadeira, porta, janela, soleira ao pé do portão
Não
Não nessa canção
Passado, futuro, agora garrafa rola no chão
E o meu coração
Bandeia, aponta, afronta e desaponta a razão
Mas não tem refrão
É claro que não

domingo, 19 de agosto de 2012

Piloto kamikaze reclama da falta de proteção no trabalho

quero registrar com meu expressionismo tosco
todo meu marasmo e desgosto
ao cubismo e surrealismo do vapor barato
todas idas e vindas, sendo que de fato
na total e plena consciência de meus atos
do que é real ou do que é abstrato
como o cansaço subjetivo do meu fado
liturgia farroupilha do tempo passado
ao roer dos ossos nada é declarado
disse o poeta louco do que um sonho é feito
eu não digo nada, só observo o pleito
vejo a desventura dos bem aventurados
vejo o santo barroco desfigurado
se toda alegria é pagã e ofende a cristo
eu tenho a entrada para o paraíso
desconfio de todo riso ou sorriso falso
de todo o lirismo do filtro do cigarro
se o jornal prevê um tempo fechado
é porque novamente chove sobre Santiago

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Anestesia

Foi um feixe de luz
mas de força mecânica
que atingiu a cabana
do velho pagé
que num ato de fé
defecava na moita
e com a voz meio rouca
reclamava da vida
que vivia sozinho
com um litro de vinho
e não tinha vizinho
que corresse em socorro
ou quisesse o transtorno
de ligar pros bombeiros
e se via o vermelho
lá no meio do mato
contrastando com o asfalto
dos assaltos humanos
mas o velho tem planos
de anos novos pro velho
e caso o cemitério
só lhe cause temor
em filmes de terror
ou livros de suspense
tem também essa gente
que a gente não sabe
mas enfrenta a idade
a maldade do tempo
e a fumaça com o vento
sobrevoa a cidade
com senso de oportunidade
cota de cidadania
preço de mercadoria
indígena, indigente.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Energúmeno freudiano

Agora eu quero ver quem é que não te leva a sério
Com um terno preto italiano fazendo mistério
Agora eu quero ver pra crer, eu quero acreditar
Modelo pronto e acabado feito pra durar
Eu quero conhecer de perto, quero ter certeza
Quero que um químico analise sua pureza

Agora eu quero ser o outro lado do cenário
Ser você e ser também o seu contrário
Quero que o tempo pare com uma manivela
Antes que o vento quebre, arrase, estripe as janelas
Agora que eles fazem e desfazem essas guerras
Contra as pessoas pelos becos acendendo velas

Agora eu quero ver quem é que anda me mentindo
Viajando no infinito multicolorido
Agora eu quero ver quem é que atiça o leão
Ou que faz como Pilatos e lava as mãos
Agora eu quero me perder em enormes labirintos
Deslizando sob um céu de chuva e granito

Até que o meu tempo acabe
Até que a hora chegue
Porque se eu não morrer de enfarte
Quero morrer de dengue

quarta-feira, 23 de março de 2011

Do contrato social

Decifrando a sabedoria popular
É clinicamente sabido que a diferença entre o remédio e o veneno é a dose prescrita, por isso, se humildade é fundamental, convém lembrar também que a humildade exacerbada é sinal de presunção, ou, em outras palavras, quem muito se abaixa acaba mostrando o rabo.

A análise dos terríveis e fatídicos anos da revolução francesa demonstra que, na chamada luta por “liberdade, igualdade e fraternidade”, o papel do povo se reduz ao de peões na luta pelo poder. Todavia, é bem verdade que esse mesmo povo se divertiu no processo.

Caso você conte uma piada a alguém e esse alguém comente apenas "muito engraçado", desconfie do real sucesso da anedota. O óbvio, em geral, não prova nada, mas pode muito bem significar o contrário.

O fato de alguém ser contra o desarmamento só demonstra, mais que qualquer outra coisa, que ela não confia no estado.

Das teorias impraticáveis
Das minhas observações, do muito que vi e pouco que vivi, conclui que, uma pessoa culpada, quando submetida a certo grau de pressão, pode: Negar, calar ou explicar. O mesmo, infelizmente, também acontece no caso de inocência. Daí que essa constatação na prática não prova nada, mas vale por nos lembrar que com o ser humano o resultado é sempre incerto.

Não existe verdade absoluta. Só a mentira pode responder absolutamente por algo.

Robespierre ao declarar “A virtude sem o terror é impotente, o terror sem a virtude é fatal.” criou o bullying.

Da retórica consumista: Roupas e acessórios de marca teoricamente duram mais, mas quem compra não costuma esperar tanto.

A moral desmoralizada
Apesar do cebolinha, garoto de classe média alta, que não ganhou seu apelido em vão, foi o cascão, a criança mais pobre da turma, que ficou conhecido por não gostar de tomar banho. Há toda uma crítica social por trás da nossa literatura infantil.

Da polêmica dos últimos dias: agora querem responsabilizar também quem vendeu a arma ao assassino. Ora, então por que não o fabricante?

Slogan para o departamento de marketing da PM: "Sua alegria é nossa insatisfação, Não fume maconha."

O engraçado sobre a ética é que todo mundo tem a sua ética e acha que só a sua é ética.

Das irreversibilidades
Cuidado crianças, vocês pensam que estão mudando, mas na verdade, quem esta mudando é o mundo.

A revolução francesa foi ao fim e ao cabo uma revolução antropofágica.

Ao acadêmico que idolatra a ciência falta o poder da síntese.

Você pode até fazer pouco caso dos ambientalistas, mas ninguém, em sã consciência, pode olhar o Rio Jordão sem sentir um pouco de culpa também.

Historicamente todas as possíveis civilizações são superadas. Não há exceção.

Chegou a hora da humanidade parar de pensar apenas em como cultivar o solo e começar a pensar também em como cultivar o sol.

Você só é o que é enquanto é, se deixar de ser não é mais.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Terapia

Qual o problema da gente? Gente que teme a realidade, lhe mascara, lhe maquia, lhe consome. Pois se a gente tem grana tem sempre razão. Gente que encara o mundo atrás de escudos, mas não consegue encarar o espelho. Gente que ri impunemente, mas não encontra satisfação. Gente que desbravou fronteiras, pra acabar trancada entre quatro paredes. Gente que faz tudo tão igual, mas que acredita que é tão diferente que nem pode se dizer que é da mesma gente. Gente que sofre. Gente que sente. A gente que é um, tão diferente que são vários, mas que temem as diferenças igualmente. Gente que cansou de correr. Gente que não pode parar. A gente que senta pra assistir TV e assisti a vida passar. Gente que quer muito mais, mas que não pode agüentar. Gente que reclama da rotina, mas que tem medo da mudança. Gente que reclama da vida. Gente que reclama da morte. Gente que chora calada. Gente que não tem medo de nada. Gente como a gente. Gente que não é gente. A gente debruçada em paradoxos. Qual o problema?

domingo, 19 de dezembro de 2010

Todos os olhos

Hei você, quer mesmo me ler agora, sim, você me parece bem inclinado a fazer isso, pense de novo, muito bem, então prossiga, não pense que vou impedi-lo. Mas você ainda esta ai, ótimo, pois que fique e fique claro, não se deve abrir uma porta sem estar pronto pra passá-la, existe uma ordem nesse caos, você vai ver, eventualmente.
Agora pra você que ficou, primeiro, você é um ser livre, parabéns, retire seu certificado na saída. Ok, agora é sério, você leu o panfleto, não leu, dizia o que na chamada, que você é um merda, que você se perdeu, é verdade, que você ainda pode parcelar, é bem assim, fodam-se eles. O quê, você está aqui por que quer redenção, foda-se você então. Você não escutou os boatos também, eles correm por toda cidade, você não me procurou primeiro, eu sei, deve ter checado todos os outros lugares, a boa palavra anda mesmo em escassez, o material até que é farto, mas inútil, são muitos os que falam para os poucos que escutam. Pois bem, vamos lá, ao meu comando, eu sempre tive mesmo vocação pra mártir.
Acenda um baseado, eu sei, existe um ritual, ignore-o, vamos nos ater ao óbvio, a fumaça, sem pressa, dura o tempo que durar, adaptação, entenda o mecanismo, você vai saber quando parar, não pare antes de sabê-lo. Pode tossir, tosse que é bom, ta ótimo, agora chega. Sinta seu corpo seu fanfarrão, você pode senti-lo não pode, cada músculo, cada processo bioquímico, o todo feito das partes, o sistema.
Percepção expandida, ok, se abrace a coisas concretas, discretas, pode a mandíbula abrir, não ligue, escute, todos os olhos se viram pra você, contestando, sorrindo, tentando, queria lembrar, queria saber, quanta distração, o passado é um baú cheio de histórias loucas, apenas escolha uma. Ah, essa é excelente, tudo haver, você até já se vê em terceira pessoal, eufórico, grite, essa é a melhor coisa do mundo, a boca seca, sorva seus erros, quantos passos, sua memória revira, aí isso explica muita coisa, mas não explicita nada.
Abstração, só mais uma nota de roda pé, você olha as horas, mas não pode ser, quanto tempo já passou, sair correndo apressado, será que eles vêem os seus olhos vermelhos, é hora de ir, comer alguma coisa, pouco metódico, seus olhos ardem, fecham, abrem. Você está bem, muito bem.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Caixa de Areia

Fala-se muito sobre aborto por aí, um desses pseudo-intelectuais de programa de tevê chegou a dizer que um plebiscito sobre o tema no Brasil não é válido já que a população é laica. Ora, a população é o que é desde tempos imemoriais, até ai nenhuma novidade, mas por que estamos discutindo mesmo sobre isso? Ah, essa incrível arte de causar efeito sem causa.

sábado, 15 de maio de 2010

(In)Definitivo, eu suponho

Estranhos esses valores sociais que tanto nos reprimem sem dar realmente algo em troca. Às vezes falo em anarquia, óbvio que sou um sonhador, acaso esqueço-me da ultima fronteira, a da propriedade individual. Ao homem, impossível mesmo só burlar a física e se todo o resto permanece ainda integro é porque assim o queremos ou ao menos já se quis um dia. É preciso lembrar que “suportável” é um conceito relativo e que algumas revoltas não devem - nem podem - sair do anonimato, pois já estão presas ao ideal de sociedade, esse monstro disforme.
Olho-me no espelho e vejo carne e osso, o ser humano é estômago e sexo - a olho nu é assim. O que nos obriga? O que nos prende?
Busca-se a verdade, eu não preciso da verdade. A realidade sempre esteve conosco e a rejeitamos a troco de fábulas. Eu quero a inverdade, a ficção, a incerteza (será real?). Logo estarei sonhando em 3D. Admita, de quanta mentira é preciso pra viver.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Shine On You Crazy Diamond

Já faz algum tempo, pra ser mais exato foi ontem, ainda me preocupava o tardar das horas, talvez houvesse mesmo perdido algo pelo caminho e agora andava assim... sei lá.
Vivo de exceções não de excessos. É tão chato ter de lidar com coisas irreversíveis nessa finitude patética. Todos os dias eu cruzo a cidade e suas cores estão todas lá, mas e eu onde estou? Trace uma reta e você terá muitas paralelas também. Nada é como é, tudo ao mesmo tempo, eu sou só eu e não escondo minha pretensão de ser também você, você verá.
Parece difícil? Não é. É só meu jeito de escrever, torto por linhas certas. As palavras não são claras e eu não quero filtrá-las, quero a realidade horrorizada por tanta imaginação, mais idéias e o chamado “mundo aparente” desmoronará em nossas cabeças, alguém dirá “já vai tarde!”, direi “vai tarde demais”. Na verdade, ambos estaremos errados, certos apenas sobre isso.
A pressa que atinge os tempos tinge também os jornais. Veja o mundo, nada mudou de dentro pra fora, a vida segue a correr de trás pra frente, uma coisa ou duas me incomodam, quase nada me preocupa e o resto é história, a gente finge que acredita. Aceite o caos e então estaremos todos livres, ao menos das convenções sociais.

sábado, 18 de outubro de 2008

Coisa nenhuma sobre nossas cabeças

Se o universo for tão infinito quanto queremos que seja – e nós queremos que ele seja infinito, certo? Infinitamente vazio para todos os lados e nós aqui, isolados, um oásis universal – então assim será. Sabe por quê? Por que a vida é um eterno faz de conta. E sabe? Nunca saberemos com certeza o que é real. Nunca saberemos o quanto sabemos ou quanto devemos saber. Até que ponto nossa imaginação distorce a realidade? É como se o único sentido da vida fosse infinitamente procurar um sentido pra ela. Fazendo perguntas, temendo respostas.

Imagine um cientista qualquer, que por um motivo qualquer resolveu dedicar um quinto de sua vidinha uniforme na difícil tarefa de descobrir se Deus existe. Então esse cientista consegue, em um momento de acidental brilhantismo, provar por A mais B que Deus não existe, nunca existiu, jamais existirá. Então o que ele ganha com isso?
Porra nenhuma! Por que ninguém acredita. Sabe: "quem é esse cara pra vim nos dizer que Deus não existe? Eu sou cristão, toda minha arvore genealógica é cristã (exceto um primo evangélico do norte que inclusive morreu entregue na perdição) e eu não vou aceitar que nenhum anticristo de merda venha ensinar nossas crianças que Deus não existe.”

Sabe quando alguém diz que viu um E.T, um Óvni ou seja lá como isso se chama e você logo pensa que o cara só pode ser maluco ou então realmente fumou algo de outro mundo? É a mesma coisa. Aliás, eu nunca entendi isso. Deus pode. alienígena não. Mas quem se importa se a terra gira ou não em torno do sol? E mesmo que alguém se importe, ninguém nunca saberá ao certo. Tem coisas que é melhor não saber, né? Toda nossa sociedade é fundamentada em uma ideologia não fundamentada, e eu acho que seria melhor que continuasse assim, caso contrario seria o caos. Se não existi regras não existi jogo.